02 / 2020

Paulo Mendes Campos

Nascido em Belo Horizonte a 28 de Fevereiro de 1922

Três Coisas

Não consigo entender
O tempo
A morte
Teu olhar

O tempo é muito comprido
A morte não tem sentido
Teu olhar me põe perdido

Não consigo medir
O tempo
A morte
Teu olhar

O tempo, quando é que cessa?
A morte, quando começa?
Teu olhar, quando se expressa?

Muito medo tenho
Do tempo
Da morte
De teu olhar

O tempo levanta o muro.

A morte será o escuro?

Em teu olhar me procuro.

 

 

Meus versos são magoados, são tristonhos,

Derrotados na vida que sonhei…

São castelos tombados dos meus sonhos,

Saudades do ideal por que lutei.

 

De peito aberto o fiz, nesses medonhos

Recontros p’la bondade a que aspirei,

Sem me cansar dos trilhos enfadonhos

Da arte e da beleza que criei,

 

Traições, ciladas de almas mal formadas,

Vieram de emboscada às gargalhadas,

Queimando quanto fiz e havia em mim…

 

Criança sonhadora…a alma morta…

Sonhando ainda vai de porta em porta …

Em busca da bondade até ao fim!

 

11.Janeiro.1972