07 / 2019

António Vieira

Padre/Escritor

Portugal
6 Fev 1608 // 18 Jul 1697

O Amor Fino

O amor fino não busca causa nem fruto.

Se amo, porque me amam, tem o amor causa;

se amo, para que me amem, tem fruto:

e amor fino não há-de ter porquê nem para quê.

Se amo, porque me amam, é obrigação,

faço o que devo: se amo, para que me amem,

é negociação, busco o que desejo.

Pois como há-de amar o amor para ser fino?

Amo, quia amo

amo, ut amem: amo,

porque amo, e amo para amar.

Quem ama porque o amam é agradecido.

quem ama, para que o amem, é interesseiro:

quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.

Padre António Vieira, in “Sermões”