28 a 31 de Março 2016; 28th to 31st March

2ª FEIRA 28 Março 2016; MONDAY 28th March
3ª FEIRA 29 Março 2016; TUESDAY 29th March
4ª FEIRA 30 Março 2016; WEDNESDAY 30th March
5ª FEIRA 31 Março 2016; THURSDAY 31st March

MOMENTOS DA SEMANA PASSADA; MOMENTS OF LAST WEEK

Inauguração da Exposição “Terra Cinza: Tomada de Consciência” de Miguel Proença na Biblioteca Álvaro de Campos; Opening of the exhibition “Grey Earth – Outlet for Consciousness” bu Miguel Proenca in The Public Library

Sobre “Terra Cinza: Tomada de Consciência” de Miguel Proença

por Pedro Barão

«Terra Cinza» (2012), agora ampliada com «-Tomada de Consciência» (2016), é um trabalho do fotógrafo Miguel Proença que estará em exposição na Biblioteca Municipal de Tavira pelo menos até 20 de Abril. Contou com a organização do Movimento Tavira em Transição.e o apoio do Município de Tavira / Biblioteca Municipal Álvaro de Campos.

Na inauguração-debate, promovido pela «Tavira em Transição» na tarde de dia 21 de Março de 2016, discutiram-se vários assuntos relacionados com a exposição e com a ligações da arte e dos artistas à cidadania.

Tendo já algum tempo, o projeto «Terra Cinza» de Miguel Proença foi agora enriquecido com mais imagens de uma nova paisagem algarvia. Se em 2012, a exposição se centrava na terra queimada da serra pós-incêndio (a cores), a que foi acrescentada a gémea baixo-alentejana das minas de São Domingos (a escala de negros), agora há também um registo da nova vaga de plastificação do baixo-algarve – estufas agrícolas – que ameaçam transformar o Algarve profundamente humanizado num deserto plástico simétrico a Almeria, no outro lado da Península.

Os três registos não sucumbem a uma mais que batida imagem de velhotes numa terra desertificada (mortificada por seculares desgraças ambientais e humanas), acompanhadas por panfletárias, tantas vezes reacionárias, visões sobre o territórios: “antes é que era bom”, “não queremos que mude”; “queremos o albardeiro, o agricultor de enxada, o latoeiro, as casas antigas”, etc. etc. «Mas querem mesmo?» foi lançado na inauguração-debate.

Os registos fotográficos, para além de incrivelmente belos, são portanto lançadores de debate. Não apontam caminhos, fixam um momento e as suas questões. A mesma serra está hoje verdejante, ou encarniçada, dependendo da tipologia de vegetação, mas continua a esvaziar-se de pessoas. As estufas trazem uma diversidade imigrante nunca vista no Algarve, rica certamente, mas não fixadora de população (imigração sazonal), nem de riqueza permanente para quem cá vive: são enormes empresas agro-alimentares, que se mudarão para outro lado assim que deixarem de dar lucro, legando um empobrecimento da agricultura local, dos produtos autóctones; uma paisagem de farrapos de plástico. A surrealidade das minas lá continua, abandonada aos químicos, sem esperança de recuperação humana e física.

Nota do Editor: Agradecemos a colaboração do Pedro Barão e lembramos que Tavira Ilimitada está aberta a comentários. T:L.

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